segunda-feira, 30 de abril de 2012

Era só uma viagem...

Fico pensando como mudamos de comportamento em relação ao tempo. Alguns anos atrás quando tinha um feriado prolongado eu não perdia a oportunidade de viajar, queria fugir da rotina e me refugiar em lugares isolados e tranquilos, onde pudesse curtir minha família e meus filhos ainda pequenos. Não me preocupava com as dificuldades de enfrentar filas em ferry boats ou outros tipos de contratempos que geralmente acontecem.
Meus irmãos iam primeiro com meus filhos e nossa mãe, e eu por causa do trabalho, era a última a viajar.
Numa destas viagens foi uma aventura que não faria novamente. Peguei o último Ferry do dia e chegando a ilha consegui tomar o último ônibus do horário. Já passava das 17:00 hs da tarde. O percurso era longo e durante a viagem o ônibus furou um pneu. Ficamos na estrada aguardando socorro e nada... A garagem não tinha como mandar outro carro pois o único que poderia estar disponível estava em manutenção. sugeriram que pegássemos caronas. A noite chegou e o único carro que conseguiria levar toda aquela gente foi um caminhão vindo da feira com mercadorias na carroceria, e seu destino seria Jiribatuba . Foi uma guerra todos queriam ir de qualquer jeito pois era justamente para onde queriam ir, e eu era única que iria para Matarandiba. Com muito custo consegui subir sendo ajudada claro, pelos homens e assim partimos ao nosso destino. A noite estava um breu, na pista poucos carros passavam devido ao adiantado horário da noite nem faróis tinham pra iluminar a nossa frente a não ser do próprio veículo que estavamos .
Quando chegamos no entroncamento da cidade tive que saltar e seguir minha viagem andando . Nunca fui medrosa em relação a escuridão, porém nesta noite senti pânico. O silêncio da noite, a escuridão da estrada sem iluminação pública, os galhos dos bambuzais quando roçavam uns nos outros emitiam sons como gemidos. Pedi a Deus que passase algum carro e me desse uma carona apesar de não ter este hábito, eu queria sair dali .


Até que um farol conseguiu iluminar a placa que identificava o local para eu estava indo. Com o coração disparado acelerei meus passos e já me sentia salva, pois logo na entrada tinha uma guarita com vigilantes que faziam a segurança. O carro passou direto e nem me importei pois já me sentia em casa apesar de ainda ter muito chão pela frente .
Na guarita os vigilantes me avisaram que já passava das 10:00 e seria dificil entrar algum carro naquele horário, porém se viesse a acontecer pediriam que me levassem em segurança até a aldeia, pois todos eram conhecidos de meus irmãos, afinal é um local pequeno onde só moravam pescadores nativos.
Já cochilava numa cadeira quando foram abrir o portão para dar acesso a um carro guincho que que trazia um taxi acidentado juntamente com o motorista . O segurança conversou com o dono do taxi e fez sinal para mim quase chorei de alegria pois meu tormento chegara ao fim, minha jornada de 8 km agora seria num taxi sendo puxado por um guincho. Foi como se estivesse num carro luxuoso , não me importei com desconfôrto pela inclinação do véiculo, nem pelo fato de estar com um estranho ao meu lado, eu queria era chegar ao meu destino.
Meu nervoso era tanto que eu falava pelos cotovelos, muito embora o taxista fôsse amigo de irmão, ele só ria da situação cômica. A viagem toda foi em estrada de barro com pedrinhas de seixos e por isto o carro tinha que andar com pouca velocidade e ainda assim algumas batiam na chaparia fazendo ruídos estranhos .

Quando vi a pracinha pouco iluminada logo adiante, sentí uma emoção muito grande. Havia poucas pessoas na rua , alguns homens bebiam nos poucos botecos. Agradeci aos motoristas de ambos os carros, e o taxista fez questão de me levar até meu irmão. Meus filhos já dormiam pois era quase meia noite e minha família ficou surpresa pelo horário em que cheguei, foi uma festa só !
Até explicar como tudo aconteceu quase varamos a noite conversando , bebendo e brincando.
Já não tinha mais cansaço, nem stress da viagem. Adrenalina baixando e o alivio de estar ali agora era só alegria.

Agradeci á Deus por ter me levado até ali em segurança.
Tudo isto aconteceu não por uma aventura...Mas foi uma circunstância que não sei como enfrentaria com a idade que tenho agora.

Só sei que valeu a pena cada momento!



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