sábado, 5 de janeiro de 2013

A vida é uma aventura.

Já reparou que de vez em quando aparece na sua mente um flash do passado que gostaria de não esquecer ? Pois bem comigo também não é diferente, e quando lembro quero logo registrar para não deletar da memória que já anda meio enfraquecida pelo passar dos anos . Com a chegada do verão vem as lembranças das férias dos meus filhos, viagens e ihas. Geralmente no inicio do ano sempre que meus irmãos saíam de férias, e podiam assim viajar e curtirem juntos com a família na ilha de Itaparica, e sempre meus filhos iam juntos, e eu só podia ir nos finais de semana que era minha folga. Minha companheira de viagem era Solange minha cunhada, e eu lembro de algumas aventuras tragicômicas pelas quais passamos juntas. ( foram várias ) Era época de Carnaval, chegamos no Terminal marítimo a noite, e a fila estava gigantesca, estávamos indo para Mar Grande, distância de 12 km de Salvador. Chegando nossa vez só conseguimos passagem para última lancha até ai tudo bem...Queríamos chegar lá de qualquer jeito ! A travessia foi tranquila e rápida, tínhamos resolvido ir andando pela margem da praia, porque assim chegaria logo a casa onde nos esperavam nossa família. Mais esquecemos de um detalhe: horário das marés, e esta noite estava cheia, já não tinha como ir pela praia margeando, também não havia mais condução pra nos levar até o centro, e os poucos moto táxis eram disputados pelos passageiros. Decidimos ir a pés, pela estrada, nem tínhamos ideia da distância que teríamos que percorrer apesar de já ter passado de carro numa viagem anterior. Seguimos confiantes que chegaríamos logo, aos poucos as luzes da cidade iam ficando para trás, as casas iam ficando espaçadas e raras as vezes que passavam os moto boys com seus passageiros, os postes não tinham lâmpadas. A lua parecia não querer nos ajudar, além de tímida, ficava maior parte do tempo escondida entre densas nuvens que já prenunciava uma bela chuva, só faltava esta ...
Avistamos um bar aberto, embora o local estivesse deserto e o horário já avançado, fomos pedir informações, nos orientaram a não seguir adiante devido aos muitos assaltos que estavam ocorrendo naquela área, e aquela hora da noite poderia ser perigoso pra duas mulheres desacompanhadas pois já passava das 22:00 hrs. A principio ficamos indecisas, não existia o bendito celular pra que pudéssemos chamar alguém até onde estávamos. Foi então que minha cunhada disse : "Sol, nós temos um Deus forte que nos trouxe até aqui precisamos confiar Nele e sei que nos protegerá, vamos em frente..." Confesso que tive medo, muito mato pela frente , silêncio total me incomodava, a imaginação começava a criar fantasmas e assombrações, começamos a cantar louvores, até que apareceu um atleta solitário fazendo sua corrida noturna, e quando passou por nós aproveitamos o embalo e quase corremos juntos, pois o trecho além de escuro não tinha casas, nem iluminação alguma. Alivio foi quando avistamos uma luzinha adiante era o sinal da civilização, Deus abençõe Thomas Edson por esta descoberta maravilhosa . O corredor solitário já havia desaparecido e eu nem ligava em saber qual rumo havia tomado pois já estava ficando próximo o nosso destino. Chegamos tarde da noite e, quando meu irmão soube a forma em que fomos, ficou admirado, e disse que nem de carro passaria por aquele local , pois conhecia os riscos que corria. Dia seguinte embora ainda cansadas da viagem, conseguimos passear um pouco pela praia, tirar algumas fotos e avistar a beleza da Baía de todos os santos do outro lado, mas logo veio a chuva que tirou a graça. No dia do nosso retorno amanheceu chovendo bastante, a vontade era desistir, mas nossas obrigações nos aguardavam do outro lado do mar.
O mar estava revolto, e a lancha balançava muito. Entramos com muito cuidado e nem pudemos escolher onde sentar pois os melhores lugares já estavam ocupados, sentamos próximo a cabine do comandante. A proporção que a lancha se afastava, eu ficava pensativa e assustada com a violência das ondas que batiam nas lonas laterais, e respingavam água nos passageiros. Minha cunhada olhou os coletes salva vidas e falou baixinho no meu ouvido : Sol, o nosso são aqueles que tem os apitos, fique de olho neles. Caramba, ai foi que me apavorei ainda mais, pois ela que é tão calma e tranquila falou seriamente. Na minha mente veio logo o naufrágio do Titânic, lembrei também de Jesus no barco com os apóstolos e fiquei em alerta e orando muito. Foi então que lembrei de um sonho que tive ainda criança: Eu andava no fundo do mar sem que a água entrasse pelas narinas e respirava normalmente e era lindo o lugar. Naquela hora acreditei que seria o meu fim e que o sonho era uma aviso. Um passageiro sentado ao meu lado deve ter percebido meu pânico (embora tentasse disfarçar), começou a puxar conversa, e eu só respondia laconicamente, pois naquela hora meus neurônios se negavam a enviar informações, bloqueando meu raciocínio. Mas graças a Deus e a este homem eu nem senti que já tinhámos chegado ao Terminal. Quando minha cunhada disse: Pronto Sol chegamos. Eu nem queria levantar do banco, as pernas tremiam que nem vara verde.

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