sexta-feira, 24 de agosto de 2012





Carta de uma mãe para sua filha.

“Minha querida menina, no dia que você perceber que estou envelhecendo, eu peço a você para ser paciente, mas acima de tudo, tentar entender pelo o que estarei passando.

Se quando conversarmos, eu repetir
a mesma coisa dezenas de vezes, não me interrompa dizendo: “Você disse a mesma coisa um minuto atrás”. Apenas ouça, por favor. Tente se lembrar das vezes quando... você era uma criança e eu li a mesma história noite após noite até você dormir.

Quando eu não quiser tomar banho, não se zangue e não me encabule. Lembra de quando você era criança eu tinha que correr atrás de você dando desculpas e tentando colocar você no banho?

Quando você perceber que tenho dificuldades com novas tecnologias, me dê tempo para aprender e não me olhe daquele jeito...lembre-se, querida, de como eu pacientemente ensinei a você muitas coisas, como comer direito, vestir-se, arrumar seu cabelo e lhe dar com os problemas da vida todos os dias...o dia que você ver que estou envelhecendo, eu lhe peço para ser paciente, mas acima de tudo, tentar entender pelo o que estarei passando.

Se eu ocasionalmente me perder em uma conversa, dê-me tempo para lembrar e se eu não conseguir, não fique nervosa, impaciente ou arrogante. Apenas lembre-se, em seu coração, que a coisa mais importante para mim é estar com você.
E quando eu envelhecer e minhas pernas não me permitirem andar tão rápido quanto antes, me dê sua mão da mesma maneira que eu lhe ofereci a minha em seus primeiros passos.

Quando este dia chegar, não se sinta triste. Apenas fique comigo e me entenda, enquanto termino minha vida com amor. Eu vou adorar e agradecer pelo tempo e alegria que compartilhamos. Com um sorriso e o imenso amor que sempre tive por você, eu apenas quero dizer, eu te amo minha querida filha.”

(Autor desconhecido)

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Invisível...

Há muito tempo não saio sozinha, geralmente só para levar minha mãe ao médico ou fazer os exames dela. Hoje precisei levar o aparelho do MAPA até a clinica, e como era longe de nossa casa foi permitido que eu desconectasse e levasse sem a presença dela.
Decidi ir de ônibus, queria sentir a sensação de liberdade, ver caras novas, sentar na janela e ver a minha cidade novamente.
Mas não foi bem como eu esperava, apesar da viagem longa não encontrei ninguém conhecido durante todo trajeto tanto de ida quanto de volta.
Eu buscava nos rostos alguns traços fisionomicos que me lembrassem alguém conhecido ou algum amigo a quem eu pudesse conversar um pouco, pura ilusão. Tentei conversar com uma senhora ao meu lado e ela simplesmente me olhou sem nenhuma expressão em seu rosto. Envergonhada, abri minha bolsa e peguei um livro comecei a ler, em seguida minha mente passou um filme de como era bom o tempo em que eu trabalhava, a maioria das pessoas que faziam aquele trajeto todos os dias, se conheciam e tornavam a viagem até divertida, muitas piadas, queixas e fofocas. A cada ponto de ônibus era como se já soubessemos quem iria subir ou descer.
Certa feita eu muito cansada cochilei, e acordei com álguem tocando no meu ombro avisando que o próximo ponto seria o meu.
Não sei por quanto tempo fiquei com o livro aberto lembrando daquela época, mas sei que senti um vazio muito grande dentro de mim. Era como se todos da minha época tivessem desaparecidos e só eu fiquei aqui no meio de estranhos, invisível,(ou a estranha seria eu)...
Era como se eu tivesse sido deixada para trás durante o arrebatamento.
Durante o trajeto de volta tentei me distrair olhando as paisagens pela janela... mas qual paisagem ??? só dava pra ver obras e mais canteiros de obras, prédios enormes , engarrafamentos , pessoas mal humoradas discutindo por coisas tão mesquinhas.
Não senti prazer algum nesta viagem, mas deve ser normal. A velhice que chegou sem bater na porta !

Sinto que fiquei muito tempo isolada do mundo lá fora, talvez isto tenha me tornado uma pessoa invisível.