terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Poltronas vazias

Ontem estava lendo um texto publicado por uma amiga , é um texto conhecido por todos nós "O Trem da Vida ". Sempre gostei de trens. É um trecho lindo e muito reflexivo.
      Passei minha infância morando próximo a linhas de trens era o único meio de transporte que tínhamos . Na época não havia muitas alternativas. Também era meu brinquedo favorito ficar com meus irmãos colocando cacos de vidros na linha só pra ver subir a poeira subindo pelo atrito das rodas nos trilhos, depois íamos juntar o pó para fazer colas de tempero para pipas. Também gostava de olhar se havia alguém conhecido sentado junto as janelas, e mesmo assim ficávamos dando adeus pra qualquer um..
        Do fundo da casa do meu avô dava pra ouvir e ver quando ele passava apitando . Era uma delícia ver pessoas chegando e saindo . Era nossa distração a noite quando vinha trazendo passageiros da cidade de Salvador . Depois voltava a ser tudo deserto nas ruas da cidade .
         Silvio meu irmão fez o concurso e trabalhou na RFSSA, e seu primeiro presente pra meu filho Anderson de quem ele era padrinho foi um ferrorama que eu amava.
         Porque estou aqui escrevendo estas baboseiras ? Talvez porquê já percebi que no vagão onde me encontro a maioria dos bancos já estão vazios...A cada final de ano é como a parada na estação, onde sobem as novas gerações, e vão descendo os mais antigos. Muitas vezes o que consola é olhar pela janela das lembranças e tentar ver nas paisagens da memória somente os momentos que fomos felizes. A geração que chega agora já não é igual a que tinha antes. Os pensamentos diferem, comportamentos diferentes. São outros ramos da mesma arvore porém cada vez mais afastados uns dos outros.
           Não gosto de finais de ano, sinto melancolia . Tudo vai ficando para trás, não quero olhar pelo retrovisor, mas, não sei o que vem depois que passar pelo túnel. É o desconhecido que me assusta ...