Hoje (18/02/12) decidi que iria ver minha casa em Mussurunga, afinal tinha cinco anos que não aparecia por lá. Não que eu tenha abandonado, apenas me afastei por um tempo pra cuidar de minha mãe que sofreu avc.
O tempo foi passando e não mais retornei, porém hoje resolvi voltar só pra visitar. Antes fui visitar minha amiga e irmã em cristo zenith, conversamos um pouco e pois não nos viamos há bastante tempo. Seus filhos já estavam bastantes crescidos nem tinha percebido a passagem do tempo...
Me despedi dela e fui ansiosa ver minha casa, meus objetos e livros que tinham sido deixados para trás. Subi o caminho vagarosamente imaginando a maneira como iriamos encontrar as coisinhas que lá deixei...
Ao dobrar a esquina da rua dei de cara com meu portão de ferro escancarado e muitas pessoas circulando pelo terreno da casa fiquei curiosa, não eram meus familiares e os trajes muito estranhos, todos de branco. Fui me aproximando devagar, passei pelo portão tive o cuidado de fecha-lo, desci as escadas até o pátio e as pessoas nem me viam e eram totalmente desconhecidas.
Quando cheguei na varanda percebi uma mulher de cor escura me observando e torcendo nariz, pouco me importei pois a intrusa ali era ela e não eu. Fiz questão de passar ao lado dela, olhei rapidamente a sala e nada havia do que tinha sido deixado.
Estante com meus livros, estofados, móveis nada que lembrasse o que eu havia deixado.
O som de um rádio tocando muito alto, procurei sentir sentir de qual direção vinha aquele som até encontrar o rádio no corredor e não era o meu desliguei.
Continuei procurando entender o que estava acontecendo, ia passando pelas pessoas que não me viam ou fingiam não me ver outras viam e viravam o rosto pra mim. Na cozinha já não existia mais meus armários e o fogão já não era mais o mesmo. Nada mais fazia parte de minha vida.
Fui até o quarto do meu filho em lugar da veneziana com vidros agora era uma janela de duas bandas em madeira bastante estragadas pelos cupins. Enquanto eu tenta cobrir um buraco com uma cortina senti que álguem se aproximava por trás , virei bruscamente e notei um que se dizia ser pai de santo em uma de suas mãos uma vela acesa e na outra um punhado de pólvora. Dei um tapa em sua mãos e foi grande o clarão e encheu casa de fumaça. Comecei a gritar feito uma histérica que não aceitava aquelas coisas na minha casa, ao mesmo tempo procurava meus filhos e meu marido e não os via.
As pessoas começaram a sair me olhando e rindo da minha cara eu já estava me achando uma estranha no meu próprio ninho.
Uma criança chegou perto de mim e pediu que eu parasse de gritar pois estava incomodando sua avó que descansava no quarto, invadi o ambiente e também não a conhecia. Acreditei que estava enlouquecendo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário